sexta-feira, 6 de julho de 2012

Catástrofe a prazo: o fundamentalismo evangélico aos poucos se instala no Brasil

Por Paulo Stekel (resposta a mais um absurdo artigo do Pastor/Deputado Marco Feliciano, intitulado “Catástrofe à vista” e postado em seu site: http://www.marcofeliciano.com.br/blog/?p=259)


Esta não é a primeira vez que faço a refutação de um texto absurdo do Pastor/Deputado Marco Feliciano. Em março de 2012 escrevi o artigo “Fundamentalistas querem expulsar os gays do Brasil” (leia em: http://espiritualidadeinclusiva.blogspot.com.br/2012/03/fundamentalistas-querem-expulsar-os.html), uma refutação aos argumentos do referido Pastor/Deputado em um texto intitulado “Fascistas querem expulsar Deus do Brasil”.

Agora, instigado por alguns leitores indignados com o parlamentar evangélico fundamentalista, para contrapor o (mais uma vez mal revisado) texto intitulado “Catástrofe à vista”, uma paranoia evidente, escrevo o presente artigo, demonstrando qual é a verdadeira catástrofe que está se abatendo sobre o Brasil, e a prazo!

Para começar, Marco Feliciano não só não se alegra com a notícia de que, segundo o último censo do IBGE, a massa evangélica será a metade da população brasileira nos próximos dez anos, como atribui a veiculação da notícia a um propósito de: “alertar os ativistas cristofóbicos, evangélicofóbios, bibliofóbicos, eclesiofóbicos e afins, que, se eles não nos pressionarem, se não nos destruirem, se não nos humilharem, se não nos expor mais, eles perderão a oportunidade que estão tendo nestes dias de acabar com a nossa conquista”. (Os erros de revisão do texto original, ou antes a falta de revisão, foram mantidos.)

Isso é uma completa paranoia! Onde existe Cristofobia no Brasil? Estamos num país de maioria cristã onde mesmo muitos homossexuais professam o Cristianismo. Se ele está se referindo aos ateus, chamá-los de cristofóbicos é uma ignorância tamanha que dá vergonha alheia! Não vejo ateus e/ou homossexuais em momento algum tentando impedir quem quer que seja de professar suas crenças, mesmo porque defendem o Estado Laico, onde estes direitos são resguardados. Quem não tem resguardado direitos laicos neste país são exatamente os fundamentalistas cristãos, especialmente os incitados por algumas lideranças evangélicas agressivas, como Malafaia, Magno Malta, João Campos e o próprio Marco Feliciano.

Da mesma forma, falar em “evangelicofobia” é ridículo. Muitos gays são evangélicos, motivo pelo qual as Igrejas Inclusivas têm crescido tanto: não sendo aceitos em Igrejas Evangélicas tradicionais, que não fazem a lição de casa do “amor ao próximo”, gays cristãos criaram suas próprias denominações inclusivas, onde não se faz distinção ou acepção de pessoas por conta de sua orientação sexual.

E, “bibliofobia”? Quem é contra a Bíblia? Quem queima Bíblias ao milhares por tal “fobia”? No Brasil, ninguém! Não há “bibliofobia” de parte dos gays ou de qualquer outro grupo brasileiro não-evangélico. O que há é um debate em torno da prática religiosa discriminadora que tentar balizar-se em textos bíblicos lidos fora de um contexto geral, histórico e sem relação com a sociedade moderna. Criticar não é fobia enquanto não extrapola a crítica nem descamba para a violência, ao contrário do que infelizmente têm sofrido os homossexuais em nosso país por incitação de algumas lideranças evangélicas radicais que fecham os olhos para os direitos humanos mínimos dos LGBTs.

Quanto a uma suposta “eclesiofobia” (um ódio à Igreja), isso é mais que ridículo. Estamos num país laico que concede espaço a quem professa qualquer das religiões ou nenhuma (ateus e agnósticos). Se há pessoas que não gostam das “igrejas”, isso deve ser considerado sob a perspectiva geral, e não segundo sua orientação sexual, mesmo porque há gays cristãos até a alma! Ninguém quer “acabar” com os evangélicos, nem seria isso possível dentro de um Estado Laico.

Em seguida, Marco Feliciano destila mais um pouco de veneno ao insinuar de modo pérfido:

“Talvez por se achar mais espertos, mais unidos, mais preparados, mais centrados do que nós evangélicos, tais ativistas, tendo acesso a informação do nosso crescimento e possível ascensão , resolveram então semana passada enviar um documento ao Supremo Tribunal Federal, pedindo ao juizes que julguem o crime de HOMOFOBIA, parado no Senado Federal como o Pl. 122, cuja relatora é a Senadora Marta Suplicy, que, tem fugido da responsabilidade de colocar em votação este projeto, trazendo morosidade ao processo, dando argumentos para que os ativistas LGBTT tenham legitimidade em dizer ao STF que o CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO não tem competência para votar o Pl. 122.”

Ele se refere ao mandado de injunção elaborado pelo advogado LGBT Paulo Iotti, que elaborou e assinou o mesmo, em nome da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais) e sobre o qual se pode ler em: http://www.abglt.org.br/port/basecoluna.php?cod=228

Alguns trechos do material da ABGLT: “A violência e a discriminação contra pessoas LGBT em geral está aumentando absurdamente ano após ano. (…) A criminalização da homofobia e da transfobia, assim, mostra-se absolutamente necessária.

Contudo, o Congresso Nacional está assolado por uma bancada que, ao colocar suas convicções religiosas-fundamentalistas acima da Constituição (que consagra um Estado Laico, que não pode ser influenciado por motivações religiosas), opõe-se ferozmente tanto ao reconhecimento de direitos civis básicos à população LGBT quanto à criminalização da homofobia e da transfobia. (...)

Assim, essa situação de elevadíssima violência, ofensas e discriminações contra pessoas LGBT, que Paulo Iotti chama (parafraseando Hannah Arendt) de banalidade do mal homofóbico, demonstra que temos direitos fundamentais das pessoas LGBT já consagrados na Constituição e que demandam proteção pelo Supremo Tribunal Federal. Os direitos fundamentais à livre orientação sexual e à livre identidade de gênero, bem como o direito fundamental à segurança (art. 5º, caput) e à tolerância (art. 3º, inc. IV) da população LGBT estão inviabilizados nos dias de hoje, já que as pessoas LGBT estão com medo de serem reconhecidas como tais por medo de serem agredidas, ofendidas e/ou discriminadas por sua mera orientação sexual ou identidade de gênero (pessoas LGBT têm medo de andarem na Avenida Paulista, a avenida mais cosmopolita da mais cosmopolita de nossas capitais). Aliás, até mesmo heterossexuais estão sofrendo os efeitos nefastos da homofobia – basta lembrar do caso de pai e filho que foram agredidos no ano passado e o pai perdeu parte da orelha porque foram confundidos com um casal homoafetivo pelo simples fato de estarem abraçados... esse é o nível absurdo a que chega a homofobia hoje: basta estar abraçado com outro homem que isto é visto por homofóbicos como algo “inadmissível” e “passível” de agressões...”

Exato! Por conta de não aprovação de uma lei anti-homofobia, até mesmo heterossexuais estão sofrendo cada dia mais com a violência praticada por ogros fanáticos nazi-machistas que, vendo homossexualidade em qualquer ato de carinho entre pessoas do mesmo sexo, e odiando a homossexualidade em si, descarregam toda a sua raiva e irracionalidade contra quem quer que possa “parecer” gay. Isso chegou ao limite do ódio já não-aceitável quando era dirigido apenas a homossexuais assumidos. Prova de uma paranoia crescente instigada por discursos inflamados de líderes religiosos como Malafaia, Magno Malta, Feliciano et caterva!

Interessante é quando Marco Feliciano lista os motivos pelos quais, no final, provavelmente, os ministros do STF seriam favoráveis à aprovação do projeto da lei anti-homofobia:

“(...) porque é modismo no mundo todo; porque é polêmico e dará muita mídia; porque os ministros do STF embora muito competentes sejam em sua maioria progressistas; porque a maioria dos ministros foi indicada pela ESQUERDA, que todos sabem , são a favor de quase tudo que não presta, haja vista que assistimos impotente a votação e aprovação da união estável homoafetiva bem como a votação e aprovação do aborto dos anencéfalos, e anotem, se algo não for feito urgentemente, a próxima será a criminalização da HOMOFOBIA.”

Proteger a vida de LGBTs é modismo? Pensei que cristãos concordassem com a proteção de vidas humanas. Me enganei??? Ou tal proteção bíblica só vale para cristãos heterossexuais? É o que parece...

Dizer que o STF vai aprovar a lei anti-homofobia por ser um projeto polêmico e que dará muita mídia é brincar com o Judiciário e acusá-lo de ser formado por membros sem personalidade ou compromisso com a Constituição. É também uma contradição de Marco Feliciano, logo após ter dito que os ministros do STF são “muito competentes”.

Quando Marco Feliciano diz que os ministros foram indicados em sua maioria pela “esquerda”, tenta dar a tudo um viés político-partidário, contrapondo-se claramente à tendência suprapartidária do Movimento LGBT, que não se contenta com promessas de partidos, sejam de esquerda, centro ou direita. O preconceito pelo qual passamos não nos deixa ser iludidos por discursos bonitos, mas ineficazes, na hora em que deveriam atuar de fato!

Segue-se uma exortação provando a tendência dos líderes evangélicos radicais a incitar a população contra os LGBT:

“(...) se não houver uma mobilização nacional dos que amam a liberdade de expressão, seremos amordaçados e punidos por não concordarmos com tais atitudes e comportamentos e perderemos o direito da livre expressão do pensamento conquistada e garantida pela declaração de direitos humanos, que mais parece uma bandeira ideológica das minorias proselitistas contra as maiorias por puro preconceito.”

Minorias proselitistas? Se são tão proselitistas, com tamanha capacidade de influenciar governo, STF, mídia, etc, como o senhor e os seus pregam, como continuam sendo “minorias”, Sr. Feliciano? Explique-nos esta matemática! Na verdade, seu argumento reflete o medo da liberdade de expressão ser estendida a todos neste país, incluindo os LGBT, que poderiam, por regulamentação legal e sem precisar entrar na justiça, casar, adotar filhos, ter direito a sucessão e proteção contra crimes motivados por orientação sexual, entre outros direitos atualmente negados.

Mobilização contra minorias proselitistas? Desde quando isso foi necessário em qualquer lugar do mundo? Nunca. Afinal, as opressoras são sempre as maiorias, como mostra a lógica e a História. As minorias não têm força para oprimir as maiorias. É um raciocínio tão básico que mais uma vez nos vem a vergonha alheia ao ter que apresentá-lo.

Mas, a maior “pérola diabólica” do artigo de Marco Feliciano está aqui:

“O real motivo de tanta fobia por nós sociedade e políticos que crêem em Deus, é que nossos princípios são obstaculos para a concretização da desconstrução da família , através de questões que para nós, são inaceitáveis como por exemplo aborto, legalização de todas as drogas, e a estimulação precoce da sexualidade e de crianças inocentes travestido de exercício de inteligência.

(…) Não basta ir à rua uma vez por ano em datas festivas , para cumprir uma obrigação de agenda ? É preciso treinar nosso povo. Temos equipamentos, inteligência e poder pra isso! Falta apenas uma atitude. UNIDADE.”

Nem gays, nem LGBTs, nem o Movimento LGBT, nem os proponentes do PLC 122 ou do ato de injunção, nem os Ministros do STF desejam a “desconstrução da família”. Ela não terminará pelo simples fato de se reconhecer direitos de uma minoria de 10% da população, pois os demais 90% continuarão vivendo como antes. Também não desejam a “estimulação precoce da sexualidade e de crianças inocentes travestido de exercício de inteligência”, pois o kit escolar anti-homofobia não quer estimular nada. Pelo contrário, quer evitar a homofobia precoce a ceifar a mente, os sentimentos, a auto-estima e a vida de crianças inocentes – agressoras e agredidas. Não são, portanto, exercícios de “inteligência”, mas de conscientização do valor da vida humana e de cidadania plena. Agora, quando o Senhor Feliciano diz que “é preciso treinar nosso povo”, e que há “equipamentos, inteligência e poder pra isso”, fico pensando a qual tipo de treinamento e equipamentos ele se refere... Ele subentende em seguida o uso da grande mídia evangélica para vociferar à la Malafaia contra os gays. O que se seguiria a isso? Como seria entendida tal ação? Como incitação a mais violência? Seria bom evitar elucubrações... Mas, não podemos dormir nesta hora.

Chegamos ao ponto em questão: a catástrofe a prazo que se começa a montar é uma ascensão evangélico-fundamentalista no parlamento brasileiro, com vistas a suspender os direitos legítimos dos LGBT e impedir a conquista de outros.

Devemos, todavia, separar o crescimento previsto e natural da população evangélica, em sua maioria não-fundamentalista, do crescimento de um fundamentalismo evangélico. Apenas este último é preocupante para os direitos dos LGBT, das mulheres e da liberdade de expressão (intelectual, sexual, religiosa), pois tenderia a barrar qualquer ação que não estivesse alinhada com um Cristianismo moralista e anti-laicista. Isso não podemos permitir no Brasil, e achamos que o Estado brasileiro anda deixando muitas brechas para este extremismo religioso. Por isso, achamos plenamente justo e necessário o mandado de injunção recentemente apresentado.

Aos poucos, a prazo, líderes como Feliciano, Malta e João Campos vão articulando um movimento fundamentalista aos moldes do que os protestantes mais radicais têm tentado fazer nos EUA, mas que tem sido combatido firmemente pelo governo de lá. E, aqui? Até onde os deixaremos chegar?

É bom deixar claro que o que estes indivíduos estão tentando fazer não tem nada DE e A VER com Cristianismo ou “Evangelismo”. É simples incitação da violência de um modo sutil contra uma minoria que nem sequer tem todos os meios cidadãos concedidos aos heterossexuais. É covardia, portanto. Os verdadeiros cristãos, católicos ou evangélicos, têm condições de perceber isso e unirem-se à nossa luta contra esse descalabro. Não se pode impôr a Bíblia (ainda mais a visão fundamentalista dela!) e rasgar a Constituição num país laico, embora haja quem o deseje!

Por fim, esta luta toda não tem nada a ver com a sobrevivência da família brasileira. Os gays nascem em famílias heterossexuais e continuarão nascendo em famílias heterossexuais, à razão de 10%, conforme demonstram as estatísticas. É um percentual insuficiente para colocar em risco qualquer sobrevivência (social, biológica, reprodutiva). E, como heterossexuais não podem ser convertidos em homossexuais – e nem é o que se deseja, valendo o contrário também, a humanidade continuará tendo 10% de LGBTs e 90% de heterossexuais. O casamento gay não vai mudar isso, a adoção gay também não, a aprovação do PLC 122 muito menos! Valer-se de pseudo-argumentos e sofismas para transformar 10% da população em algoz dos demais 90% não é apenas covarde, mas uma infantilidade e uma impossibilidade lógica. Contudo, se a população evangélica em dez anos for a metade da população brasileira, e for influenciada por fundamentalistas, pode vir a ser incitada contra a minoria LGBT, o que poderia constituir-se, nas palavras de Luiz Mott, em um verdadeiro “homocausto” em nossa pátria, mãe gentil!


Sobre o autor


Paulo Stekel é jornalista, escritor, músico, poliglota, especialista em religiões, tradições espirituais e línguas sagradas. Ativista LGBT focado na relação entre homofobia e religião, é o criador do Movimento Espiritualidade Inclusiva e possui quase uma centena de artigos sobre espiritualidade, orientação sexual, homofobia religiosa e espiritualidade inclusiva. Contatos: espiritualidadeinclusiva@gmail.com


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Confiram o artigo original de Marco Feliciano (com todos os seus erros ortográficos e de redação):

CATÁSTROFE À VISTA


A notícia do crescimento evangélico no Brasil veiculado na ultima semana, alegrou os ânimos dos fervorosos. A mídia divulgou maciçamente a notícia de que o ultimo censo feito pelo IBGE nos coloca em posição de destaque pelo crescimento e prevê, para os próximos 10 anos que seremos a metade da população brasileira.

Quando todos comemoram o feito, e assiste líderes evangélicos concedendo entrevistas pelo grande feito, enquanto as mídias sociais disparam a notícia, fico eu aqui, sorumbático, contemplativo, interiorizado…

Motivo? Não sabem o porquê real da divulgação maciça pela mídia?… Que, de longe, tem carinho por nós, que, sempre explora nossa imagem com escândalos, e nunca! Repito: Nunca se alegra com nossas conquistas.

A mídia tendenciosa que sempre nos expõe como loucos teocratas, como religiosos medievais, como fundamentalistas fanáticos, que, nos chamam de ladrões, usurpadores, charlatões, atrasados, mentecaptos, etc e tal.De uma hora pra outra, resolve ceder seu precioso tempo em divulgar que estamos crescendo?! Alavancando, conquistando e que seremos a metade do Brasil em 10 anos! Confesso, pra mim, isso é preocupante.

Digo isso porque entendo que essa divulgação não foi para aplaudir nosso crescimento! E sim, alertar os ativistas cristofóbicos, evangélicofóbios, bibliofóbicos, eclesiofóbicos e afins, que, se eles não nos pressionarem, se não nos destruirem, se não nos humilharem, se não nos expor mais, eles perderão a oportunidade que estão tendo nestes dias de acabar com a nossa conquista.

Talvez por se achar mais espertos, mais unidos, mais preparados, mais centrados do que nós evangélicos, tais ativistas , tendo acesso a informação do nosso crescimento e possível ascensão , resolveram então semana passada enviar um documento ao Supremo Tribunal Federal, pedindo ao juizes que julguem o crime de HOMOFOBIA, parado no Senado Federal como o Pl. 122, cuja relatora é a Senadora Marta Suplicy, que, tem fugido da responsabilidade de colocar em votação este projeto, trazendo morosidade ao processo, dando argumentos para que os ativistas LGBTT tenham legitimidade em dizer ao STF que o CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO não tem competência para votar o Pl. 122.

O STF tem vários processos parados há anos aguardando julgamento mas, pelo que entendo, e percebo, eis ai um assunto que os faria parar tudo o que estão fazendo no momento e agarrar com as várias mãos e acelerar o processo de julgamento, que com certeza, será favorável ao projeto.

Serão favoráveis porque é modismo no mundo todo; porque é polêmico e dará muita mídia; porque os ministros do STF embora muito competentes sejam em sua maioria progressistas; porque a maioria dos ministros foi indicada pela ESQUERDA, que todos sabem , são a favor de quase tudo que não presta, haja vista que assistimos impotente a votação e aprovação da união estável homoafetiva bem como a votação e aprovação do aborto dos anencéfalos, e anotem, se algo não for feito urgentemente, a próxima será a criminalização da HOMOFOBIA.

Nosso país não é homofóbico. Em 2010 dos 50 mil casos de assassinatos no Brasil, 260 foram considerados crimes de homofobia, e destes, 80% crimes cometidos por parceiros homossexuais. Eu sinto muito pela morte destas pessoas, mas daí, usar isto para justificar que uma parcela da sociedade seja tratada com privilégios? É inaceitável. Mas, repito se não houver uma mobilização nacional dos que amam a liberdade de expressão, seremos amordaçados e punidos por não concordarmos com tais atitudes e comportamentos e perderemos o direito da livre expressão do pensamento conquistada e garantida pela declaração de direitos humanos , que mais parece uma bandeira ideológica das minorias proselitistas contra as maiorias por puro preconceito.

O real motivo de tanta fobia por nós sociedade e políticos que crêem em Deus, é que nossos princípios são obstaculos para a concretização da desconstrução da família , através de questões que para nós, são inaceitáveis como por exemplo aborto, legalização de todas as drogas, e a estimulação precoce da sexualidade e de crianças inocentes travestido de exercício de inteligência.

O Colegiado parlamentar tem sido desrespeitado por tudo e por todos. Pelos erros e omissão de alguns, todos pagam.Há uma generalização doentia dos fatos errôneos passados na tentativa de desestabilizar e desacreditar o trabalho realizado por estes que são verdadeiros heróis enfrentando uma verdadeira batalha a favor da Família Brasileira. E me pergunto: Cadê a igreja? que assiste de longe, cobrando muito e agindo pouco, fechada em seus problemas internos . Somos 73 parlamentares evangélicos na Câmara Federal, e 3 no Senado Federal. Como podemos sozinhos segurar esta situação caótica que esta por vir?

Das dezenas de horas mensais televisivas utilizadas por evangélicos, apenas um dedica-se a informar, cobrar, brigar pela nossa causa, falo do Pr. Silas Malafaia. E os demais? Será que não percebem que todos nós iremos sofrer abruptamente por causa desta maldita lei?

Onde estão os pregadores pentencostais, neo-pentecostais, tradicionais evangélicos? Onde estão os pregadores da canção nova, do movimento carismático? Onde está os padres-pop-star? Onde estão os Famosos Cantores da música Gospel? Os grandes lideres denominacionais? Onde estão?

Não basta ir à rua uma vez por ano em datas festivas , para cumprir uma obrigação de agenda ? É preciso treinar nosso povo. Temos equipamentos, inteligência e poder pra isso! Falta apenas uma atitude. UNIDADE.

Temos editoras ,Jornais e Revistas, mídias sociais, emissoras de Radios, emissoras de TV. Podemos ensinar nosso povo a manter contato com os congressistas, juristas, através de atos públicos, manifestações pacificas, precisamos não somente gritar , mas agir para sermos ouvidos.

Vamos deixar de lado nossas pequenas diferenças, e nos unir em amor com o que realmente nos uni DEUS e seus princípios se,não pararmos de olhar para nosso‘umbigo-denominacional’, se não acordarmos hoje, agora, NÃO HAVERÁ O AMANHÃ .

Falo como um parlamentar desesperado. Que sofre na pele a perseguição que vem maciça através da mídia tendenciosa e irresponsável , dos simpatizantes, militantes e ativistas GLBTT, ateus, abortistas e afins.

Fico sufocado quando estou em uma comissão e o assunto é orientação sexual. Todos se calam. Não concordam, mas se calam, pois o assunto é vivenciado pelo nosso povo como tabu ..

Quando nossos parlamentares fazem qualquer trabalho defendendo nossas causas na Camara dos Deputados, a própria mídia da casa não da a mínima, mas basta qualquer um dos parlamentares que apóiam a causa GLBTT, eles são primeira capa, capa do meio, capa da frente, etc.

Fica aqui meu apelo mais uma vez, para que os grandes lideres evangélicos, católicos, enfim, cristãos, desta nação me ouçam, e se mobilizem, preparando seminários, conferencias, simpósios focados sobre o futuro do nosso país.

Aos evangélicos, fica aqui meu recado, NÃO SE ILUDAM COM O TAL CRESCIMENTO VENTILADO PELA MIDIA, por trás desta divulgação está a forma mais sórdida de avisarem os que são contra nós de que precisam nos parar e para isso apressarem a votação de leis que nos ferem, e pior, tentam, neste momento em que católicos e evangélicos lutam pelo mesmo ideal de família, sejam separados por uma luta de ego por quem cresce, quem diminui. Necessário é que ELE cresça!

Agradeço aos poucos, mas valentes, que sempre divulgam meus escritos. Agradeço a uma ala da CNBB que juntos aqui em Brasilia lutamos unidos pela causa da família brasileira.

Um abraço em Cristo.

 



Pr. Marco Feliciano

Deputado Federal

9 comentários:

Anônimo disse...

Aos poucos? Oh lá lá, o fundamentalismo está totalmente estratificado no território brasileiro e ele é o unico que dita as regras...

Espiritualidade Inclusiva disse...

Não é bem assim, "anônimo"! O fundamentalismo ainda não conseguiu o que realmente quer no Brasil e, lhe digo: NÃO CONSEGUIRÁ! Se estivesse estratificado em nosso território, os LGBT não teriam conquistado nada e estaríamos vivendo em um "Irã sul-americano", pode ter certeza.

Anônimo disse...

kkk fundamentalismo religioso no brasil?

aham, senta la claudia

Espiritualidade Inclusiva disse...

Anônimo! O fundamentalismo religioso tenta se firmar no Brasil, sim! Cabe a nós defendermos o Estado Laico e impedir essa aberração de se instalar em definitivo por aqui.

Erzulie Medusa Byron disse...

Texto perfeito! merecia um espaço numa coluno no Jornal do Brasil ou outro meio que o valha. parabéns!

Espiritualidade Inclusiva disse...

Grato, Erzulie!

Este artigo está à disposição do Jornal do Brasil ou de qualquer outro veículo que esteja comprometido com o respeito à diversidade, aos direitos humanos e à cidadania plena. (Se bem que não sei se é o caso do Jornal do Brasil...)

Paulo Stekel

Augusto José capeletto disse...

parabéns por mais essa brilhante explanação ! Vamos em frente.....

Gilberto disse...

Paulo, o Marcos Feliciano não é bobo e sabe que, como o ministro da propaganda nazista já nos ensinou, uma mentira dita mil vezes soa como verdade.
Os religiosos mais fanáticos leem e escutam somente os seus líderes, desprezando tudo que vem de outros meios.
O grupo LGBT é um dos mais religiosos possíveis e com um diferencial, o do respeito aos de fé diferente e dos sem fé.
Quem provavelmente deverá prejudicar a igreja é o governo, pois está escrito na ATA do "Foro de São Paulo" que esta é uma das metas.
Mas o Feliciano e outros líderes deveriam se preocupar o o perigo real, o Islamismo vem crescendo a passos largos e eles sim são inimigos da igreja cristã.
Grande abraço

S.D disse...

O fundamentalismo religioso se caracteriza pelo fechamento de cada religiãom na própria auto-suficiência dogmática, afirmando que vale apenas a sua verdade. Por
essa razão os fundamentalistas se recusam a interagir com as outras religiões, não admitindo a parcela de verdade presente nas outras crenças religiosas. Os
fundamentalistas conferem caráter absoluto aos seus pontos de vistas. Por isso não toleram outra verdade. Assim sendo, o destino do fundamentalismo é a intolerância, o acirramento entre grupos religiosos e a geração de ódio e de violência. Fato comum em nossos dias vermos Templos serem depredados, recentemente houve o caso bárbaro de linchamento de uma mulher na rua, afinal o que esperar depois de pelo menos uma década essa Turba de ex-tudo ouvindo "queima G-Zuis, tá amarrado" já está havendo uma Guerra santa e vai piorar na medida que as pessoas atacadas retaliarem na mesma medida, é óbvio que a Guerra santa já iniciou no Brasil.